O apagão
Já era tarde da noite e o dia, como todos os outros, passou rápido, agitado e cheio de imprevistos indesejados.
Toca o despertador, levanto, acordo, sem tempo pro café, anda pra lá, aula sem muito interesse, bate papo desinteressado, anda pra cá, almoço meio boca, anda pra lá, reunião, maquete... Maquete já 90% pronta e em tempo recorde, os 10 % restantes que deram trabalho, trabalho até as seis e quarenta e cinco da noite, que pela hora já não tinha expediente que a levasse para a exposição. Tenta por no carro... Não cabe, liga pra um e pra outro e nada. Até que alguém improvável aparece e salva a pátria, no caso, a maquete. Corre pra lá, sem apoio na exposição, fica triste e solitária no assoalho. Deixa que no dia seguinte bem cedinho trazem o apoio. Corre pra cá, tomo uma ducha e como rápido, que é pra estudar a matéria já esquecida da prova de amanhã. E apaga tudo.
Cadê a luz? Será que foi só aqui ? Tinha que acontecer justo agora ?
Já não queria ter estudado mesmo. Vou pra varanda e olho as estrelas, como poucas vezes as vi. Claras, brilhantes, ininterruptas , longe...
Olho para as outras varandas, todos fazem o mesmo que eu, e posso até escutá-los dizendo para a pessoa ao lado: como foi o seu dia ? Senti sua falta.
E então me sinto tão perto... Ah, como gostaria que as noites tivessem mais apagões.
Toca o despertador, levanto, acordo, sem tempo pro café, anda pra lá, aula sem muito interesse, bate papo desinteressado, anda pra cá, almoço meio boca, anda pra lá, reunião, maquete... Maquete já 90% pronta e em tempo recorde, os 10 % restantes que deram trabalho, trabalho até as seis e quarenta e cinco da noite, que pela hora já não tinha expediente que a levasse para a exposição. Tenta por no carro... Não cabe, liga pra um e pra outro e nada. Até que alguém improvável aparece e salva a pátria, no caso, a maquete. Corre pra lá, sem apoio na exposição, fica triste e solitária no assoalho. Deixa que no dia seguinte bem cedinho trazem o apoio. Corre pra cá, tomo uma ducha e como rápido, que é pra estudar a matéria já esquecida da prova de amanhã. E apaga tudo.
Cadê a luz? Será que foi só aqui ? Tinha que acontecer justo agora ?
Já não queria ter estudado mesmo. Vou pra varanda e olho as estrelas, como poucas vezes as vi. Claras, brilhantes, ininterruptas , longe...
Olho para as outras varandas, todos fazem o mesmo que eu, e posso até escutá-los dizendo para a pessoa ao lado: como foi o seu dia ? Senti sua falta.
E então me sinto tão perto... Ah, como gostaria que as noites tivessem mais apagões.

2 comentários:
Se as noites tivessem mais apagões as pessoas não teriam distrações e falta de tempo como desculpa, então reparariam nas coisas simples que na correria sempre fica 'pra depois'. E com certeza as possoas parariam de se satisfazer com relações superficiais e efetivamente iriam querer saber o como foi o dia do outro..
["Ah, como gostaria que as noites tivessem mais apagões." - Sonho compartilhado!]
Às vezes devemos apagar o mal estar que a vida em sociedade nos deixa. Ainda bem que você tem essa percepção sobre algo que muita gente viu como o fim do mundo.
Belo texto. Parabéns!
Beijos!
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