segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O apagão




Já era tarde da noite e o dia, como todos os outros, passou rápido, agitado e cheio de imprevistos indesejados.
Toca o despertador, levanto, acordo, sem tempo pro café, anda pra lá, aula sem muito interesse, bate papo desinteressado, anda pra cá, almoço meio boca, anda pra lá, reunião, maquete... Maquete já 90% pronta e em tempo recorde, os 10 % restantes que deram trabalho, trabalho até as seis e quarenta e cinco da noite, que pela hora já não tinha expediente que a levasse para a exposição. Tenta por no carro... Não cabe, liga pra um e pra outro e nada. Até que alguém improvável aparece e salva a pátria, no caso, a maquete. Corre pra lá, sem apoio na exposição, fica triste e solitária no assoalho. Deixa que no dia seguinte bem cedinho trazem o apoio. Corre pra cá, tomo uma ducha e como rápido, que é pra estudar a matéria já esquecida da prova de amanhã. E apaga tudo.
Cadê a luz? Será que foi só aqui ? Tinha que acontecer justo agora ?
Já não queria ter estudado mesmo. Vou pra varanda e olho as estrelas, como poucas vezes as vi. Claras, brilhantes, ininterruptas , longe...
Olho para as outras varandas, todos fazem o mesmo que eu, e posso até escutá-los dizendo para a pessoa ao lado: como foi o seu dia ? Senti sua falta.
E então me sinto tão perto... Ah, como gostaria que as noites tivessem mais apagões.